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ÁLCOOL NÃO COMBINA COM GESTAÇÃO 3 de janeiro de 2018

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Ginecologista da Cruz Azul fala sobre os danos ligados à ingestão de bebida alcoólica na gravidez e lactação

Ao perguntar se, realmente, há risco para o bebê quando a mãe ingere bebida alcoólica durante a gestação, independente da quantidade, a resposta é SIM!!! Os problemas vão desde o aumento do risco de aborto e prematuridade, até o desenvolvimento da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), que é a principal causa de retardo mental e de anomalia congênita não hereditária nos bebês. Isso acontece porque o álcool atravessa a placenta sem sofrer qualquer alteração, resultando em um nível fetal equivalente ao materno.

A ingestão de álcool (etanol) durante a gravidez pode resultar em várias consequências relacionadas ao neurodesenvolvimento da criança, incluindo retardo mental e deficiências em capacidade cognitiva, como: atenção, função executiva, controle motor e comportamento, que caracteriza a SAF.

Embora a maioria das mulheres reduza ou interrompa o consumo de álcool ao descobrir a gravidez, algumas delas continuam consumindo na mesma quantidade – ou até em doses maiores. Estima-se que mais de 1 em cada 100 nascidos vivos apresentem manifestações relacionadas ao consumo de álcool na gestação.

Entre as características da síndrome, pode-se citar: atraso no crescimento pré e pós-natal e também no desenvolvimento, baixa estatura, microcefalia, baixo peso ao nascer, dificuldade na realização de movimentos finos e malformação facial. Além disso, pode haver fenda palatina e anomalias articulares e cardíacas, assim como o álcool pode levar à hipóxia fetal, que é a falta de oxigenação cerebral no feto, causando restrição de crescimento intrauterino (RCIU) e elevando o risco do nascimento prematuro.

Ou seja, a ingestão de álcool durante a gravidez pode ter efeitos deletérios sobre o Sistema Nervoso Central (SNC), crescimento e desenvolvimento do feto em graus variados, dependendo da duração da exposição e da idade gestacional. Como exemplo, sabe-se que o risco é mais grave quando ingerido nas primeiras semanas de gestação.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), um estudo realizado em São Paulo com quase duas mil mulheres apontou que 33% delas consumiram bebida alcoólica em algum momento da gestação. Já o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) identificou que 7,6% das mulheres grávidas faziam uso de álcool e 1,4% admitiram fazer uso abusivo durante a gestação.

É importante ressaltar que, embora algumas crianças não apresentem nenhum sintoma marcante ao nascer, elas podem manifestar, ao longo da vida, diferentes problemas decorrentes da exposição ao álcool, como dificuldades na aprendizagem e alterações no comportamento.

As alterações que o consumo de bebida alcoólica podem promover no recém-nascido (RN) se estendem também para o período pós-parto, em que o consumo materno de álcool leva à diminuição média de 20% da ingestão de leite pela criança. Isso se deve à redução da produção de ocitocina materna, com consequente diminuição da ejeção do leite.

Vale lembrar que os efeitos do álcool ocasionados pela ingesta materna de bebidas alcoólicas durante a gravidez não têm cura, portanto, quanto antes parar, melhor para o bebê.

Assim sendo, o ideal é que toda mulher que planeja engravidar ou ainda que tem risco de engravidar suspenda o consumo de álcool, já que não existe consenso sobre qual é a dose mínima capaz de afetar o desenvolvimento fetal.

 

Os principais mecanismos para explicar os efeitos nocivos (teratogênicos) do álcool sobre o embrião em desenvolvimento incluem:

1.  Aumento do estresse oxidativo (formação de radicais livres).

2.  Distúrbio no metabolismo da glicose, proteínas, lipídios e DNA.

3.  Neurogênese diminuída e aumento da apoptose (morte) celular, em particular de células da crista neural.

 

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) editou a Resolução 305/17, que dispõe sobre a conscientização das gestantes e de seus familiares sobre os riscos da Síndrome Alcoólica Fetal, representando uma importante ação preventiva em prol da saúde da população.


Por Dr. Thiago Aranha Campos
Médico Plantonista do Serviço de Ginecologia do Hospital Cruz Azul

 

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