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CARDIOPATIA CONGÊNITA 18 de julho de 2017

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Especialista em Cardiopediatria fala sobre as doenças do coração que podem surgir desde a gestação

Cardiopatia congênita é uma alteração na estrutura do coração presente ao nascimento, mesmo quando descoberta mais tardiamente. Possui uma incidência de, aproximadamente, 1% em todos os nascidos vivos. A mesma surge nas primeiras oito semanas de gestação, período em que ocorre a formação do coração do bebê. Também é a alteração congênita mais comum e a principal causa de óbito no período neonatal.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, nascem em torno de 28 mil crianças com problemas cardíacos no Brasil. Dessas, perto de 80% precisarão de algum tipo de cirurgia durante a vida. No entanto, infelizmente, cerca de 18 mil (78% dos casos) não terão a oportunidade de tratar por falta de diagnóstico ou vagas na rede pública. De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), em 2014, foram realizadas apenas 5.773 operações para correção de cardiopatias congênitas. Não houve melhora dos números nos últimos anos, o que tem gerado um déficit cada vez maior no tratamento dessas patologias.

Os sinais e sintomas dependem do tipo específico do problema, podendo aparecer logo após o nascimento ou já na fase adulta. Deve-se ficar atento quanto às seguintes alterações: cianose (pele com coloração azulada ou extremidades roxas), “falta de ar”, processos respiratórios de repetição, tosse persistente, sudorese ou cansaço para as mamadas (período neonatal), cansar rapidamente após iniciar uma atividade física, tonturas ou desmaios e inchaço dos membros (inferiores principalmente). Este último é causado devido à redução da força de batimento do coração.

O motivo que leva ao surgimento do defeito congênito do coração é, muitas vezes, desconhecido. Alguns fatores de risco, ambientais e genéticos, podem desempenhar um papel importante, como: hereditariedade, parentesco entre os pais, má nutrição, obesidade, consumo de álcool, tabaco ou drogas durante a gestação, doenças cromossômicas (Síndrome de Down, Síndrome de DiGeorge, Síndrome de Marfan, Síndrome de Noonan, Trissomia do 13 e Síndrome de Turner), presença de infecções durante a gravidez (ex.: rubéola), gestantes com diabetes tipo 1 ou diabetes tipo 2 (diabetes gestacional geralmente não aumenta o risco de cardiopatia congênita).

Além disso, o fato de ter um parente com esse defeito congênito pode influenciar. Entretanto, não obrigatoriamente quem tem uma cardiopatia congênita terá um filho ou neto com a doença.  Apesar de ter sua contribuição, a genética não está ligada a todas as patologias cardíacas.

O diagnóstico pode ser feito antes mesmo do nascimento, por meio do ecocardiograma fetal, exame que deveria ser realizado em todas as gestantes. Após o parto, o ecocardiograma também pode auxiliar no diagnóstico havendo a suspeita clínica. Caso o médico suspeite de algum problema por ouvir um “sopro cardíaco” durante um exame de rotina, essa alteração deve ser investigada. O ideal é procurar um Cardiologista ou Cardiopediatra, sendo que o ecocardiograma pode definir ou direcionar qual será a programação terapêutica.

O tratamento da cardiopatia congênita depende do tipo e da gravidade da doença. Se o tempo ainda não “passou”, ou seja, se já não houve um comprometimento significativo do coração ou do pulmão que impeça a correção da alteração cardíaca, esta deve ser realizada, independente da idade.

Alguns pacientes têm cardiopatias leves, que curam por conta própria com o tempo. Para outros, há a necessidade do tratamento medicamentoso e/ou cirúrgico. Este último pode incluir procedimentos por cateter, cirurgias de peito aberto ou, nos casos mais graves, um transplante de coração.

A opção pela correção cirúrgica ou tratamento pela hemodinâmica é definida em conjunto por uma equipe multidisciplinar, que conta com especialistas em cardiopatias congênitas, sendo estes: cardiopediatra, hemodinamicista congênito, radiologista, ecocardiologista congênito e cirurgião cardíaco pediátrico. São profissionais que acompanham o caso, independente da idade do paciente.

Antes do advento do tratamento cirúrgico nos anos 60, menos de 20% das crianças nascidas com cardiopatias chegavam à idade adulta. Nos dias atuais, a indicação para correção da maioria das cardiopatias congênitas se tornou rotineira e quase sistemática, pois os indiscutíveis avanços nos vários campos da Cardiologia Pediátrica causaram uma queda significativa na mortalidade. O importante é buscar o tratamento antes do comprometimento permanente do coração ou do pulmão.


Por Dr. Juliano Gomes Penha
Coordenador Médico da Cirurgia Cardíaca Pediátrica da Cruz Azul
e Médico Assistente do Dep. de Cirurgia Cardíaca Pediátrica
e das Cardiopatias Congênitas do Adulto do InCor-HCFMUSP
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