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BARIÁTRICA: UMA NOVA ETAPA DA VIDA

9 de janeiro de 2020

KARLA VELEZIANO E TALITA POSSATO

Cirurgiã e Nutricionista da Cruz Azul falam sobre o tratamento multidisciplinar da obesidade, que requer uma mudança considerável no estilo de vida

Atualmente, a cirurgia bariátrica é segura e eficaz na correção da obesidade, quando o tratamento clínico já não é eficaz. Porém, a obesidade mórbida é uma doença crônica, que, uma vez desencadeada, permanecerá com o paciente pelo resto da vida e, embora não haja cura em si, há possibilidades de tratamento e controle. 

Estamos diante de uma doença grave, que se manifesta devido a diversos fatores. Portanto, para obter sucesso no seu tratamento, precisamos manter foco na alimentação correta e na prática de atividades físicas, assim como no controle do metabolismo, da ansiedade e da compulsão. 

Nessa linha de raciocínio, no Hospital Cruz Azul, desenvolvemos um programa de acompanhamento com uma equipe multidisciplinar, com ênfase exatamente nas áreas críticas. Tratamos uma doença multifatorial com uma equipe versada em diferentes especialidades para buscar o melhor resultado e controlar essa condição tão estigmatizante, grave e desafiadora.

Iniciamos nossa avaliação com um endocrinologista experiente em tratamento de obesidade, que, no decorrer das consultas, vai avaliar quais pacientes se beneficiarão da cirurgia. Muitos deles estão “perdidos”, desanimados, angustiados por fracassarem contra a doença, cansados de carregar o próprio peso, sofrendo bullying (intimidação sistemática) e nitidamente desconfortáveis com a anamnese, sendo que alguns sequer aceitam que são obesos e, com isso, recusam a conduta terapêutica. 

Apesar da resistência, insistimos no tratamento clínico. Contudo, quando o mesmo é ineficaz e o paciente já apresenta comorbidades, ele é inserido no Protocolo de Cirurgia Bariátrica e, assim, encaminhado para avaliação de diversos especialistas, englobando as áreas: Cirurgia bariátrica, Nutrição, Psicologia, Cardiologia, Pneumologia, Psiquiatria, Anestesiologia e outras, conforme o caso clínico.

Tal protocolo é rigoroso e muito seguro. Além disso, também é possível diagnosticar outras doenças que o paciente nem imaginava estar acometido. Essas comorbidades são tratadas ou melhoradas, levando-o para a cirurgia em uma condição mais favorável, o que reduz a eventualidade de complicações. Aliás, nas consultas pré e pós-operatórias, realizamos ainda o exame de Bioimpedância elétrica para verificar a composição corporal e, se necessário, ajustar o tratamento, de forma individualizada e assertiva.

Uma parte fundamental desse acompanhamento do obeso são as duas palestras obrigatórias no pré-operatório. A primeira é ministrada pela equipe cirúrgica, com detalhamento das técnicas empregadas, possíveis eventos adversos e benefícios do procedimento, incluindo a clara orientação quanto à necessidade de uma real adaptação no estilo de vida para o sucesso do tratamento. Nesse momento, é essencial a presença de familiares para que compreendam e apoiem as mudanças expressivas no dia a dia, mediante a demonstração de vídeos e o esclarecimento de dúvidas.  

Conduzida pela Nutrição, a segunda palestra, na verdade, trata-se de uma oficina focada na dieta pós-operatória, abordando os cuidados necessários desde a seleção dos alimentos até o preparo das refeições em suas consistências adequadas por fase, bem como a suplementação pós-operatória, que é de extrema relevância para a recuperação, procurando minimizar o impacto gerado pela imediata perda de peso ocasionada pela cirurgia. 

Por ser uma doença de difícil tratamento, é crucial e obrigatória a atuação multiprofissional para o êxito terapêutico.  A cirurgia pode ser eficiente a médio e longo prazo, como uma ferramenta de controle e, portanto, deve ser bem utilizada. Contudo, isoladamente, o procedimento cirúrgico não tem o poder de cura.   

Nenhum caminho será fácil para tratar a obesidade e, não mudando o estilo de vida, um razoável número de pacientes volta a ganhar peso, logo, a continuidade do acompanhamento multidisciplinar é imprescindível. A decisão final é uma escolha deles, entretanto. Aqueles que insistirem em negar o problema, terão muita dificuldade em controlar essa doença crônica.

POR KARLA VELEZIANO E TALITA POSSATO
Cirurgiã Bariátrica e Nutricionista da Cruz Azul, respectivamente

Categoria(s): Palavra de Especialista | Saúde
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